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Indústria | 07/03/2018 | 21h13

“Não tenho respostas” sobre o Rota 2030, diz interino do MDIC

Última esperança da indústria é aprovar programa de incentivos após provável saída de Meirelles da Fazenda, em abril

PEDRO KUTNEY, AB

Depois de sucessivos adiamentos na aprovação do Rota 2030 que vêm se arrastando desde outubro do ano passado, o programa setorial de desenvolvimento do setor automotivo, que foi discutido e negociado em mais de 100 reuniões ao longo de 2017, parece agora ter perdido importância e qualquer definição de prazo por parte do governo federal. “Sei que vocês têm muitas perguntas sobre o Rota 2030, mas não tenho respostas para todas elas”, admitiu o ministro interino da Industria (MDIC), Marcos Jorge de Lima, durante discurso na cerimônia de inauguração da planta de injeção de alumínio da Renault em São José dos Pinhais (PR), na terça-feira, 6.

O ministro discursou após o presidente da montadora no Brasil, Luiz Pedrucci, cobrar definições sobre o programa: “Estamos em momento chave de decisão sobre um novo ciclo de investimentos no Brasil, por isso esperamos pelo Rota 2030. Tenho certeza que o ministro Marcos Jorge sabe da importância do programa para o setor. Precisamos de regras claras, pois competimos com outras localidades para receber investimentos como Romênia, Colômbia e Argentina. Lutamos para que o Paraná seja o destino desses recursos”, afirmou em seu discurso o executivo.

O Rota 2030 parou de andar desde que o MDIC e o Ministério da Fazenda entraram em colisão sobre a concessão de incentivos fiscais à indústria automotiva, que pelo programa anterior, o Inovar-Auto, recebeu cerca de R$ 1,3 bilhão por ano em isenções tributárias em troca de investimentos em pesquisa, desenvolvimento e engenharia no Brasil.

As discussões e negociações sobre o novo regime automotivo começaram em maio e as conclusões estavam previstas para ser anunciadas em agosto. Com o embate entre Fazenda e MDIC, a aprovação foi sendo sucessivamente adiada para outubro, depois para dezembro. No início do ano o ministro Marcos Pereira, principal defensor do programa, pediu demissão do MDIC deixando Lima interino no seu lugar, que então indicou o fim de fevereiro para aprovar o marco regulatório. Mas a resistência da área econômica do governo persistiu e o programa perdeu perspectiva de prazo.

ÚLTIMA ESPERANÇA IMPROVÁVEL



Segundo apurou Automotive Business, alguns representantes do setor próximos às negociações em Brasília disseram que a última esperança é ver o programa aprovado pelo governo em abril. Isso porque no começo do mês será encerrado o prazo para desincompatibilização de membros do Executivo que queiram se candidatar a cargos públicos no próximo mandato. É o caso do ministro Henrique Meirelles, cotado para concorrer nas eleições presidenciais de outubro como vice na chapa do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Como o ministro se colocou pessoalmente contra a concessão de qualquer benefício fiscal à indústria e usou seu prestígio para barrar o MDIC, algumas fontes ouvidas argumentam que sua saída da Fazenda poderia desimpedir o caminho para a aprovação do Rota 2030.

É mais provável que não seja tão simples, pois Meirelles deverá fazer seu sucessor na Fazenda, onde boa parte do corpo técnico também é contra a concessão de benefícios fiscais como proposto no Rota 2030. “Meu sentimento é que o programa não é mais prioridade para o governo, depois da troca de ministros não haverá mais tempo para aprovar tudo antes das eleições, acho que vai ficar para o próximo governo resolver essa questão”, disse José Luiz Gandini, presidente da Abeifa, associação que reúne importadores e fabricantes de veículos. Durante o ano passado, Gandini foi um dos representantes do setor que participou ativamente das negociações sobre o Rota 2030.

Até agora, membros do Ministério que abastecem a imprensa com notícias contra o programa se mostraram insensíveis às ameaças veladas da indústria, que em todas as declarações de seus representantes deixa a entender que, sem regras claras para o futuro, investimentos serão cancelados, fábricas de menor volume poderão ser fechadas e seria interrompido o desenvolvimento tecnológico agregado aos veículos produzidos no País enquanto esteve em vigor o Inovar-Auto. As fontes da Fazenda duvidam disso, alegando que os investimentos serão feitos de qualquer forma por causa do tamanho do mercado brasileiro. Muito em breve será possível saber quem tem razão.



Tags: Rota 2030, política industrial, regime automotivo, MDIC, Fazenda, Inovar-Auto, Renault.

Comentários

  • AriKempenich

    Apior regra do Mundo é o Mundo sem regra.

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