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Negócios | 22/02/2018 | 15h13

Elétricos podem derrubar indústria, avisa Carlos Tavares

Presidente da Acea e CEO da PSA alerta sobre riscos elevados da tecnologia

PEDRO KUTNEY, AB

“O carro elétrico já está colocado como alternativa obrigatória para todos os fabricantes de veículos na Europa, todos terão de até 2030 aumentar significativamente a oferta de modelos elétricos. Mas ninguém explica o grande quadro da tecnologia, que não está todo pintado. Primeiro, não se pode falar de limpeza de emissões sem fontes de energia limpa, não adianta ter uma frota elétrica abastecida com usinas de geração a carvão; então como vamos gerar toda a energia necessária? Segundo, é preciso, ao menos um ano antes, estabelecer uma rede elétrica com densidade de energia suficiente para alimentar essa frota, isso custa dinheiro, quem irá pagar por isso? Vamos aumentar impostos? Terceiro, a carga fiscal aplicada hoje sobre combustíveis é uma importante fonte de receita dos governos; quando isso for transferido para os elétricos, o que acontece? O consumidor vai continuar achando vantajoso? Por fim, ninguém fala sobre as emissões de CO2 para fabricar baterias e reciclar baterias; o que vamos fazer com isso?”

É assim, com muitas indagações, que Carlos Tavares, CEO do Grupo PSA e presidente da associação europeia de construtores de veículos, a Acea, responde à pergunta sobre o futuro dos carros elétricos. Ele admite que a tecnologia é uma tendência irreversível, especialmente na Europa e China, mas vê a escolha mais como ameaça do que solução para a industria automotiva como um todo.

“Estão tomando decisões para antes de responder a todas as questões. Todos terão de aumentar muito as vendas de carros elétricos para atender os limites de emissões de CO2 impostos pela Comissão Europeia. Os fabricantes europeus estão ameaçados com isso, porque terão de oferecer um produto que não sabem se será de fato aceito pelo consumidor, nem se garantirá rentabilidade suficiente para a sobrevivência das empresas”, alerta Tavares.



Para o presidente da Acea, a Comissão Europeia vai pelo caminho de pedir mais do que será possível entregar, o que poderá quebrar muitas empresas do setor. “Isso ameaça diretamente 12,6 milhões de pessoas que trabalham na indústria automotiva só na Europa”, destaca. Tavares explica que a imagem de todas as montadoras foi arranhada pelo escândalo de fraude de emissões, acima dos limites legais, dos motores diesel da Volkswagen. Com isso, muitos congressistas do Parlamento Europeu aumentaram a dose de desconfiança e votam por apertar as exigências, impondo o carro elétrico a todos os fabricantes. O executivo realça ainda um fator adicional de dificuldade: “Muitos dos deputados europeus são de países que não têm indústria automotiva, por isso as decisões que tomam não terão impacto social para eles”.

DOMÍNIO TECNOLÓGICO


Tavares avalia que, com o cenário que está se desenhando até 2030 na Europa, muitas montadoras poderão quebrar ou vão ser engolidas, compradas, pelas empresas que souberem dominar melhor a tecnologia. “Por isso há três anos tomei a decisão estratégica na PSA de desenvolver nossa própria tecnologia de propulsão elétrica, com uma forte integração vertical; vamos fabricar nossos próprios motores elétricos, caixas de transmissão, sistemas de gerenciamento de potência e até as baterias, só não vamos fazer as células internas porque não somos químicos. Nossos primeiros modelos elétricos e híbridos plug-in serão lançados em 2019”, afirma.

Para ele, esse domínio tecnológico será fundamental para enfrentar a maior concorrência já vista pelos fabricantes europeus: “A China decidiu liderar o desenvolvimento de carros elétricos e tem um mercado enorme para consumi-los. Se os europeus não se mexerem, vão perder competitividade no mercado chinês e em boa parte do mundo”, avalia.

Nesse sentido, apesar da atual baixa rentabilidade da PSA no Brasil (leia aqui), a situação é bem mais tranquila com o uso de etanol nos motores, em níveis já suficientes para atender a redução de emissões de gases de efeito estufa proposta pela cúpula de mudanças climáticas da ONU, a COP 21. “É muito positivo o uso de etanol e a tecnologia flex no Brasil, porque permite avanços imediatos, ao contrário do que acontece hoje na Europa, onde a Comissão Europeia quer propor limites ainda mais severos do que a COP 21”, diz. “Por que o setor de transportes, responsável por apenas 14% das emissões mundiais de CO2, deve ser o mais pressionado”, Tavares segue perguntando.



Tags: Tecnologia, veículos elétricos, Acea, Grupo PSA, PSA, Peugeot, Citroën, Opel, resultados, investimento, Carlos Tavares.

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