Automotive Business
Siga-nos em:

Notícias

Ver todas as notícias

Combustíveis | 27/06/2017 | 16h15

Etanol e frota flex são ativos estratégicos, defende diretor da FCA

No Ethanol Summit, João Irineu fala em convergência tecnológica

REDAÇÃO AB

Embora tenha importância inegável para o desenvolvimento da indústria automotiva nacional nos últimos 40 anos, o etanol sempre foi tratado como combustível complementar, pouco contemplado no desenvolvimento original dos veículos como solução estratégica para redução de emissões. Para João Irineu Medeiros, diretor de assuntos regulatórios e compliance da Fiat Chrysler Automobiles (FCA), essa realidade tem boa chance de mudar agora, diante das discussões da nova política industrial para o setor, conhecida até agora como Rota 2030, e das obrigações assumidas pelo Brasil na Conferência do Clima de Paris, a COP 21, de reduzir as emissões de CO2 em 43% até 2030 em relação aos níveis de 2005.

“Pela primeira vez em 40 anos as cadeias de produção de veículos e de agroenergia convergem esforços para o desenvolvimento tecnológico de soluções conjuntas, políticas e normas de longo prazo para aumentar a eficiência energética e reduzir as emissões de CO2. Este é um fato novo e importante, que pode ser decisivo para o Brasil alcançar as metas de redução de emissões de CO2 assumidas internacionalmente”, afirmou o engenheiro na terça-feira, 27, durante sua participação no Ethanol Summit, encontro bienal organizado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) que reúne empresários, autoridades, pesquisadores, investidores, fornecedores e acadêmicos do Brasil e do exterior, este ano realizado em São Paulo em 26 e 27 de junho.

João Irineu defendeu a vantagem ambiental do etanol como estratégia inteligente e viável para atingir as metas pactuadas pelo Brasil na COP 21. Para isso será necessário elevar a participação do biocombustível na matriz energética brasileira veicular dos atuais 30% para 50%, o que significaria ampliar a produção dos atuais 28 bilhões de litros por ano para a faixa de 50 bilhões de litros. Isso porque, além de emitir menos gases poluentes e material particulado na comparação com os combustíveis fósseis, todo o CO2 gerado na queima do etanol é reabsorvido pelas próprias plantações de cana-de-açucar. “Os biocombustíveis e a frota brasileira de veículos flexfuel têm papel decisivo na estratégia de redução do CO2”, disse.

O diretor da FCA lembrou que o programa Rota 2030 deverá contemplar os biocombustíveis, em especial o etanol, dentro de novas metas de eficiência energética e redução de emissões. Atualmente o governo debate a nova política industrial automotiva com os representantes da indústria automotiva e da cadeia da mobilidade, que inclui fabricantes de veículos, de autopeças e produtores de combustíveis, entre outros.

ATIVO ESTRATÉGICO

“O Brasil tem quatro décadas de acúmulo de tecnologia na produção do etanol combustível e de veículos que o utilizam. Intensificar a opção pelo etanol é uma decisão inteligente, que leva em conta a imensa plataforma produtiva, logística e de distribuição já implantada no país”, destacou o executivo. “Nenhum outro país tem um ativo dessa importância e magnitude. Temos de tirar disso as vantagens comparativas na busca por mobilidade com menos carbono e de um balanço mais favorável de emissões. Temos de investir tempo, dinheiro e inteligência nisso”, afirmou.

João Irineu sugere a formulação de uma agenda estratégica compartilhada entre governo, empresas, universidades e sociedade para aperfeiçoar o biocombustível e os veículos que fazem uso dele. Ele entende que esse planejamento passa pela definição de formas competitivas de financiamento de pesquisa e desenvolvimento, organização do mercado de combustíveis e estímulo ao uso de tecnologias, por meio de novos marcos regulatórios.

Nesse caminho para o futuro do etanol, a cadeia da agroenergia deve focar em produzir combustíveis de modo mais eficiente, com oferta estável e previsível, além de dar passos adiante com o desenvolvimento de novas fontes, como o etanol de segunda geração, que pode ser extraído de diversos materiais orgânicos, especialmente subprodutos como bagaço e palha da cana, por exemplo. Ao mesmo tempo, a indústria automotiva deve trabalhar mais para desenvolver motores e veículos de maior eficiência energética quando rodam com biocombustíveis.

Um dos trabalhos a serem feitos pela cadeia de biocombustível, como sublinhou João Irineu, é melhorar a especificação do etanol hidratado, reduzindo o conteúdo de água de 7,5% para 2% – o que por si só já eleva a eficiência energética do combustível e reduz seu consumo. Outros desafios são aprimorar a qualidade da partida a frio e a resistência à oxidação dos componentes.

No médio e longo prazos, o aumento da oferta de etanol e veículos mais eficientes deve conduzir à internacionalização do biocombustível e de sua utilização em veículos híbridos, que utilizam motores elétricos e a combustão. O etanol também tem potencial de servir base para extração de hidrogênio, combustível de carros elétricos alimentados por células de combustível (fuel cell).

“Há muitas oportunidades associadas a esse esforço. Outros países estão diante do mesmo desafio de reduzir suas emissões no âmbito da COP 21. É uma oportunidade para internacionalizar ainda mais o uso do etanol, estimulando sua adoção em países como Argentina, Chile, Colômbia”, afirmou João Irineu.



Tags: Etanol, Ethanol Summit, combustíveis, biocombustível, flex, FCA, Fiat Chrysler Automobiles, João Irineu Medeiros, indústria, COP 21, emissões, CO2, Rota 2030.

Comentários

  • Vilela

    Parabens engenheiro este é o caminho mais ponderoso e rico que existe , o Brasil é o celeiro do mundo em qualquer tipo de agricultura , basta que os diregentes desta naçao entender oque temos em nosso poder para alimentar e servir o mundo com os nossos produtos.Vilela.

  • Luiz Roberto Imparato

    Lamentável o representante de uma montadora como a FCA falar de investimentos na tecnologia de motores a combustão quando a tendência mundial do setor é a eletrificação da tração. Montadoras que continuarem a desperdiçar recursos investindo em tecnologias próximas a extinção certamente terão problemas de sobreviver num futuro próximo.

Conte-nos o que pensa e deixe seu comentário abaixo Os comentários serão publicados após análise. Este espaço é destinado aos comentários de leitores sobre reportagens e artigos publicados no Portal Automotive Business. Não é o fórum adequado para o esclarecimento de dúvidas técnicas ou comerciais. Não são aceitos textos que contenham ofensas ou palavras chulas. Também serão excluídos currículos, pedidos de emprego ou comentários que configurem ações comerciais ou publicitárias, incluindo números de telefone ou outras formas de contato.

Veja também

AB Inteligência
our company best-products.reviews

www.ivf-lab.com/ru/uslugi/152-ekstrakorporalnoe-oplodotvorenie.html

источник xn--e1agzba9f.com