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CLA: sofisticação minimalista atrai jovens à estrela
Mercedes-Benz CLA: cupê compacto de quatro portas

Lançamentos | 22/01/2014 | 22h0

CLA: sofisticação minimalista atrai jovens à estrela

Mercedes-Benz começa a vender seu cupê compacto no Brasil por R$ 150,5 mil

PEDRO KUTNEY, AB

Apelidado internamente na Mercedes-Benz de “baby CLS”, julgado só pela aparência o CLA poderia mesmo ser considerado o irmão menor do cupê de quatro portas. Contudo, está mais para primo. Tem o mesmo “sangue”, mas pertence à outra família. O CLA é um dos quatro membros a da nova plataforma compacta da fabricante alemã, sobre a qual também são montadas as novas gerações do Classe A, Classe B e GLA. As dimensões minimalistas não reduzem a sofisticação trazida pelos belos traços de seu design, mas estão diminuindo a idade do cliente. É um Mercedes-Benz pensado para os filhos de donos de carros da marca icônica. Com ele, a intenção é atrair os mais jovens para a estrela de três pontas.

Nos mercados desenvolvidos a estratégia parece funcionar. Nos Estados Unidos, onde o CLA faz sucesso desde o seu lançamento, em setembro de 2013, a Mercedes-Benz reduziu em 10 anos a idade média de seus compradores, que caiu de 40 para 30 anos. No Brasil, conversa de marketing à parte, o fato é que nas ruas o CLA e sua bela figura chama a atenção de jovens, nem tão jovens e mais velhos também. Mas por aqui o cupê chegou este mês às 38 concessionárias da marca com preço de gente grande: R$ 150,5 mil, em versão única topo de linha, batizada First Edition, preparada especialmente para o mercado brasileiro. Por este valor, é carro para gente bem de vida – ou para pais que não querem o modelo, mas assinam o cheque para os filhos.

A beleza de suas linhas refinadas, portanto, é o principal argumento de venda do CLA no Brasil, pois aqui o modelo chega custando mais do que concorrentes internos. O Classe C 180, que usa o mesmo motor 1.6 turbo de 156 cavalos, é tabelado em R$ 125 mil, mas pode ser encontrado por R$ 110 mil. Já o C 200 tem preço parecido ao do CLA e motor maior, 1.8 de 174 cv. Contra essa comparação racional, a equipe de vendas e marketing da Mercedes-Benz do Brasil argumenta que o CLA First Edition é mais bem equipado e representa uma novidade no mercado, enquanto o Classe C à venda por aqui é ponta de estoque, pois a nova geração do modelo, que cresceu e subiu de nível, já foi apresentada este mês no Salão de Detroit e chega ao público brasileiro no terceiro trimestre deste ano – e será fabricado no País a partir de 2016.

POSICIONAMENTO DE MERCADO

“São carros diferentes para públicos diferentes. O Classe C é um sedã tradicional e o CLA um cupê de quatro portas com apelo esportivo”, assinala Dirlei Dias, gerente sênior de vendas e marketing da Mercedes-Benz do Brasil. Segundo ele, como o Classe C ainda vendido aqui está em final de ciclo de vida, deverá atrair “compradores oportunistas, em busca de preço menor e bom negócio com financiamentos a taxa zero que estamos fazendo para esta linha”, enquanto os futuros donos brasileiros do CLA buscariam a tentadora novidade.

Seja como for, não parece difícil encontrar interessados para o CLA por aqui. O primeiro lote importado da Hungria em dezembro, ainda sem o aumento de IPI, já foi todo vendido. Uma nova leva foi trazida em janeiro. Com o sucesso de vendas na Europa e nos Estados Unidos, em 2014 inteiro só 1,4 mil unidades serão destinadas ao Brasil, o que representa perto de 10% dos carros que a Mercedes-Benz espera vender no mercado brasileiro este ano. “Se não tivéssemos essa limitação acredito que facilmente venderíamos mais de 2 mil CLA em um ano, mas a fábrica está com sua capacidade esgotada no momento”, avalia Dias.

Ele acrescenta que a First Edition “não representa toda a história do CLA no Brasil, pois poderemos trazer versões mais caras (o CLA 45 AMG com motor 2.0 de 360 cv chega no terceiro trimestre) e também mais baratas”. Dias admite que quando a versão renovada do Classe C chegar, no segundo semestre, a tendência é que o CLA tenha opções com preço menor, podendo até tornar-se o três-volumes de entrada da marca no País.

ESTRELA EXUBERANTE

Deixando de lado os componentes racionais de compra, o fato é que o CLA já é uma das estrelas mais exuberantes da Mercedes-Benz, pequeno na forma e grande no conteúdo. O departamento acertou a mão no design do cupê compacto, que começa com a força transmitida pela grande frontal, onde uma grande estrela de três pontas está fixada no centro, atravessada por uma haste cromada. Os faróis (bi-xenon contornados por LEDs) têm angulação fluida que denota velocidade, assim como os vincos no capô e nas laterais, que terminam em perfeita harmonia com a escultura traseira em forma de aerofólio, adornada por lanternas de LED que parecem esculpidas pelo vento.

A bela escultura exterior cobra seu preço no interior, mais particularmente nos assentos traseiros, onde uma pessoa com mais de 1,70 de altura bate a cabeça no teto baixo. No entanto, isso pouco importa para quem quer estilo automotivo confortável para duas pessoas – o tal consumidor jovem ainda sem família numerosa.

O CLA não só parece domar o vento, como de fato domina a resistência do ar com coeficiente de penetração aerodinâmica (Cx) de apenas 0,23, o mais baixo já alcançado por um automóvel (leia aqui). Para isso, o carro foi projetado com retrovisores aerodinâmicos, caixas serrilhadas de rodas, vedação completa da dianteira, tampa do porta-malas em forma de aerofólio e assoalho desenhado com saliências que dão maior fluidez ao diminuir a turbulência do ar que passa por baixo. Na prática, o menor arrasto significa economia de combustível, redução de ruído e dirigibilidade suave.

O elástico motor 1.6 turbinado e com injeção direta gera 156 cavalos e ajuda bastante a aumentar o prazer de dirigir, com toque máximo de 250 Nm que começa praticamente em marcha-lenta, a 1.250 rpm, resultando em acelerações muito rápidas que levam o CLA de 0 a 100 km/h em apenas 8,5 segundos, segundo medições do fabricante. Contribui para isso as rápidas trocas de marcha da transmissão automatizada com dupla embreagem, de sete velocidades, que funciona em modo automático ou com toques nas borboletas atrás do volante. Para as condições brasileiras, o desempenho é bem mais do que suficiente – chega a ser irritante a força exercida para manter o pé com leveza no acelerador, para evitar multas por excesso de velocidade.

A eletrônica é companheira presente no CLA. Quase todas as siglas vêm de série em todas as versões: ESP (controle eletrônico de estabilidade), EBD e BAS (distribuição eletrônica e assistência de frenagem), ABS (sistema antitravamento dos freios), ASR e ETS (controles eletrônicos de tração), HSA (assistência de partida em subida) e PRIMING (pré-acionamento das pastilhas de freios). Também está no pacote piloto automático, volante com 12 teclas de comandos variados e central multimídia com tela de 17 polegadas, que inclui sistema de som, navegador e conexão com o celular. A direção elétrica corrige o rumo em certas condições de frenagem, compensa automaticamente o vento lateral na estrada e reduz a influência da tração dianteira no curso. Entre 80 e 200 km/h, o motorista é monitorado por 200 sensores capazes de detectar fadiga ou sonolência, acionando um aviso sonoro e visual no painel, que pede uma parada para descanso. E se tudo falhar, em caso de colisão existem sete airbags à disposição.

Somando tudo, o CLA pode até ter sido pensado para os “jovens” que a Mercedes-Benz quer atrair, mas chama a atenção de pessoas de qualquer idade. Pode ser caro para comprar, mas para olhar não se paga nada.

Tags: Mercedes-Benz, CLA, lançamento, mercado.


Comentários

  • Gian

    Para os jovens ... jovens milhonários ! ...rs

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