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Fornecedora do carro autônomo, Nvidia ainda está distante do setor automotivo no Brasil

Negócios | 28/02/2018 | 16h30

Fornecedora do carro autônomo, Nvidia ainda está distante do setor automotivo no Brasil

Companhia trabalha em parceria com estudantes e pesquisadores para crescer no mercado local

GIOVANNA RIATO, AB

Um dos grandes efeitos do desenvolvimento do carro autônomo nos negócios é que a indústria automotiva, até então independente, passou a trabalhar cada vez mais próxima de empresas de tecnologia. Estas companhias são as novas concorrentes e também as novas parceiras das montadoras e sistemistas tradicionais. Este é o caso da Nvidia, que nasceu em 1993 como fornecedora de placas para o mercado de games e agora se posiciona como desenvolvedora de módulos com alto poder de processamento para sistemas de inteligência artificial, elemento estratégico para acompanhar a transformação da indústria automotiva.

A empresa tem propriedade para acompanhar a evolução do setor justamente porque passou, ela mesma, por grandes mudanças em seus negócios mais recentemente. Apesar de estar no mercado bilionário de games, no começo dos anos 2000, a organização percebeu que pesquisadores usavam suas placas para fazer cálculos e decidiu que iria atender mais plenamente essa necessidade, com o desenvolvimento de soluções específicas. Logo chegou a vez de olhar para o mercado automotivo.

Na prática, a empresa produz GPUs, uma unidade de processamento gráfico dedicada – essencial para que os veículos autônomos tracem cenários e tomem decisões a partir da imensa quantidade de dados que serão capazes de coletar. Esse hardware a empresa já fornece para todas as montadoras que trabalham no desenvolvimento de modelos autoguiados. Além disso, há o software, a solução de inteligência artificial por trás das peças físicas, que gera cada vez mais parcerias entre a companhia e a indústria automotiva. Logo no início do ano a Nvidia anunciou cooperação com cinco empresas durante a CES Las Vegas.

APOSTA NO SETOR AUTOMOTIVO


“Entre 2010 e 2011 percebemos que o nosso processador poderia atender a uma demanda da indústria automotiva. A Tesla foi nosso primeiro cliente e fizemos um trabalho em conjunto com eles, ouvindo as necessidades e melhorando. Isso chamou a atenção das outras empresas”, conta Marcio Aguiar, gerente de desenvolvimento da Nvidia para a América Latina. Segundo ele, os negócios globais avançaram, mas no Brasil a companhia ainda não trabalha tão próxima do setor automotivo. “Falta independência nos projetos para que as empresas possam inovar localmente. Muitos precisam esperar o avanço vir da matriz”, diz.

O executivo concorda que a evolução do carro autônomo não vai partir do Brasil, mas aponta que há uma série de oportunidades para a indústria local que nem sempre são plenamente aproveitadas. Segundo ele, é possível usar as ferramentas da Nvidia para acelerar o processo de desenvolvimento de um carro ou para melhorar o uso dos dados em fábricas.

“O meu grande papel no Brasil é engajar pessoas para que possamos trabalhar juntos e desenvolver soluções para as necessidades da indústria”, diz Aguiar.


A operação local da Nvidia é pequena e conta com cerca de 30 profissionais, um nada perto dos 14 mil que compõe o quadro global da companhia. Aguiar reconhece que não é simples levar as soluções da companhia para as operações brasileiras das montadoras. “É curioso porque fornecemos para todas globalmente”, diz.

Por isso, ele repete no Brasil um trabalho que a empresa já se empenha em fazer globalmente: se aproximar da comunidade científica. “Fazemos uma série de eventos em universidades e instituições de ensino. Investimos para melhorar a formação porque as empresas precisam de novas competências dos profissionais e estas pessoas serão nossos clientes no futuro”, diz, destacando uma das necessidades geradas pela forte transformação nos negócios automotivos.



Tags: Nvidia, carro autônomo, Brasil, negócios.

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